Morpheu:
Eu imagino que você esteja se sentindo um pouco como a Alice entrando pela toca do coelho.
Neo:
Você tem razão.
Morpheu:
Eu vejo nos seus olhos. Você tem o olhar de um homem que aceita o que vê porque está esperando acordar. Ironicamente não deixa de ser verdade. Você acredita em destino, Neo?
Neo:
Não
Morpheu:
Por que não?
Neo:
Não gosto de pensar que não controlo minha vida.
Morpheu:
Sei exatamente o que você quer dizer. Vou te contar porque está aqui: Você sabe de algo.
Não sabe explicar o quê. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira: há algo errado com o mundo. Você não sabe o que é, mas há. Como um zunido na sua cabeça te enlouquecendo. Foi esse sentimento que te trouxe até mim.
Você sabe do que estou falando?
Neo:
Da Matrix?
Morpheu:
Você deseja saber o que ela é?
Neo:
Sim.
Morpheu:
-A Matrix está em todo lugar. À nossa volta. Mesmo agora , nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga sua TV; Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai à igreja, quando paga seus impostos....
É o mundo que foi colocado diante de seus olhos para que você não visse a verdade.
Neo:
Que verdade?
Morpheu:
Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não pode sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem que ver por si mesmo. Esta é a última chance . Depois não há como voltar .
Se tomar a pílula azul a história acaba e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar.
Se tomar a pílula vermelha ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho.
Lembre-se tudo o que ofereço é a verdade. Nada mais.
Osho:
Os mestres não ensinam a verdade – não há como ensiná-la. Trata-se de uma transmissão além das escrituras, além das palavras. É uma transmissão: é energia desencadeando energia em você. É uma espécie de sincronicidade...
É preciso que você se acerque do mestre com grande amor, com grande confiança, com o coração aberto. Você não tem consciência de quem você é. Ele tem consciência de quem ele é e tem consciência de quem você é. É possível dizer de uma lagarta que ela não tem consciência de que poderá transformar-se em uma borboleta. Vocês são lagartas bodhisattvas. Todas as lagartas são bodhisattvas, e todos os bodhisattvas são lagartas. Um bodhisattva é alguém que tem potencial para transformar-se em borboleta, que pode vir a ser um buda, alguém que é um buda em semente, na essência...
O relacionamento mestre/discípulo é o relacionamento entre uma lagarta e uma borboleta, amizade entre uma lagarta e uma borboleta. A borboleta não consegue demonstrar que a lagarta é capaz de transformar-se em borboleta; não existe uma maneira lógica de fazê-lo. Mas a borboleta pode provocar um anseio na lagarta e isso é possível.
Comentário:
No Zen, o Mestre não é um mestre de outros, mas um mestre de si mesmo. Cada gesto seu, e cada uma de suas palavras, refletem a sua condição de iluminado. Ele não tem objetivos pessoais, nenhum desejo de que alguma coisa possa ser diferente do que é. Seus discípulos se reúnem à sua volta, não para segui-lo, mas para embeber-se da sua presença e para serem inspirados pelo seu exemplo. Nos olhos do mestre, eles encontram a própria verdade deles refletida, e no seu silêncio eles encontram com maior facilidade o seu próprio silêncio interior. O Mestre dá as boas-vindas aos discípulos, não porque queira liderá-los, mas porque ele tem muito para compartilhar. Juntos, eles criam um campo de força que dá apoio a cada um isoladamente, para que encontre a sua própria luz. * Se puder encontrar seu mestre assim, você será um abençoado. Se não puder, continue procurando. Aprenda com os professores, com os candidatos a mestre, e siga em frente. Charaiveti, charaiveti, disse o Buda Gutama. Siga em frente.







