quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vamos ver então, até onde vai a toca do coelho


Morpheu:
Eu imagino que você esteja se sentindo um pouco como a Alice entrando pela toca do coelho.

Neo:
Você tem razão.

Morpheu:
Eu vejo nos seus olhos. Você tem o olhar de um homem que aceita o que vê porque está esperando acordar. Ironicamente não deixa de ser verdade. Você acredita em destino, Neo?

Neo:
Não

Morpheu:
Por que não?

Neo:
Não gosto de pensar que não controlo minha vida.

Morpheu:
Sei exatamente o que você quer dizer. Vou te contar porque está aqui: Você sabe de algo.
Não sabe explicar o quê. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira: há algo errado com o mundo. Você não sabe o que é, mas há. Como um zunido na sua cabeça te enlouquecendo. Foi esse sentimento que te trouxe até mim.
Você sabe do que estou falando?

Neo:
Da Matrix?

Morpheu:
Você deseja saber o que ela é?



Neo:
Sim.

Morpheu:
-A Matrix está em todo lugar. À nossa volta. Mesmo agora , nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga sua TV; Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai à igreja, quando paga seus impostos....
É o mundo que foi colocado diante de seus olhos para que você não visse a verdade.

Neo:
Que verdade?

Morpheu:
Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não pode sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem que ver por si mesmo. Esta é a última chance . Depois não há como voltar .

Se tomar a pílula azul a história acaba e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar.
Se tomar a pílula vermelha ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho.

Lembre-se tudo o que ofereço é a verdade. Nada mais.





Osho: 
Os mestres não ensinam a verdade – não há como ensiná-la. Trata-se de uma transmissão além das escrituras, além das palavras. É uma transmissão: é energia desencadeando energia em você. É uma espécie de sincronicidade...
É preciso que você se acerque do mestre com grande amor, com grande confiança, com o coração aberto. Você não tem consciência de quem você é. Ele tem consciência de quem ele é e tem consciência de quem você é. É possível dizer de uma lagarta que ela não tem consciência de que poderá transformar-se em uma borboleta. Vocês são lagartas bodhisattvas. Todas as lagartas são bodhisattvas, e todos os bodhisattvas são lagartas. Um bodhisattva é alguém que tem potencial para transformar-se em borboleta, que pode vir a ser um buda, alguém que é um buda em semente, na essência...
O relacionamento mestre/discípulo é o relacionamento entre uma lagarta e uma borboleta, amizade entre uma lagarta e uma borboleta. A borboleta não consegue demonstrar que a lagarta é capaz de transformar-se em borboleta; não existe uma maneira lógica de fazê-lo. Mas a borboleta pode provocar um anseio na lagarta e isso é possível.

Comentário:
No Zen, o Mestre não é um mestre de outros, mas um mestre de si mesmo. Cada gesto seu, e cada uma de suas palavras, refletem a sua condição de iluminado. Ele não tem objetivos pessoais, nenhum desejo de que alguma coisa possa ser diferente do que é. Seus discípulos se reúnem à sua volta, não para segui-lo, mas para embeber-se da sua presença e para serem inspirados pelo seu exemplo. Nos olhos do mestre, eles encontram a própria verdade deles refletida, e no seu silêncio eles encontram com maior facilidade o seu próprio silêncio interior. O Mestre dá as boas-vindas aos discípulos, não porque queira liderá-los, mas porque ele tem muito para compartilhar. Juntos, eles criam um campo de força que dá apoio a cada um isoladamente, para que encontre a sua própria luz. * Se puder encontrar seu mestre assim, você será um abençoado. Se não puder, continue procurando. Aprenda com os professores, com os candidatos a mestre, e siga em frente. Charaiveti, charaiveti, disse o Buda Gutama. Siga em frente.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

UTI Espiritual

Eu preciso de Deus na veia. É por isso que vou pra Índia.
Ler e pensar sobre Deus não me ajudam a encontrá-lo. Sinto que Deus na veia por alguns meses vai me ajudar.

O Guru oferece uma temporada de aproximadamente 4 meses aos buscadores espirituais para que possam se aprofundar no estudo de si mesmo. Nesses 4 meses são oferecidas diversas atividades, diariamente, como yoga, meditações, mantras, dança, etc. Mas o mais badalado evento mesmo é o satsang, que é o momento do encontro do grupo para que o Guru fale.

As palavras que brotam da boca dele são como flechas que me guiam no mundo interno, mais que isso, são um sofisticado sistema de GPS que clareia o caminho. 
O Guru sabe tudo sobre todos os conflitos da alma humana. Ainda assim, não vou por palavras. Vou por Deus na veia. Como um corpo desidratado que por muito tempo ficou sem se alimentar precisa de soro na veia, depois de tanto tempo vagando no deserto do ceticismo, eu preciso de doses cavalares de Deus na veia.

Preciso do darshan.

"Há que se compreender o fenômeno do darshan – essa transmissão espiritual que está acontecendo aqui. Cada mestre realiza esse jogo de uma maneira. Eu tenho dito que, por mais importantes que sejam as palavras, elas não são a essência do que está acontecendo. O fenômeno que ocorre aqui está muito além das palavras. Não subestime o que acontece aqui dentro. Onde eu coloco o meu olhar, eu estou ativando e dinamizando energia – são karmas e samskaras sendo dissolvidos. Tudo acontece enquanto estamos cantando e enquanto as palavras são proferidas. É um trabalho muito profundo. Eu estou lhe transmitindo o meu Ser; eu estou transferindo o meu Ser para você. Mas, se quando acaba a transmissão, você se põe a falar, toda essa energia volta para mim. A melhor forma de você aproveitar o darshan é, quando eu sair, você ficar por alguns minutos em silêncio; sair em silêncio e ficar em algum lugar por mais algum tempo, até absorver toda a transmissão."

Sri Prem Baba


O Darshan

O encontro com o Mestre

"Não há um fenômeno mais bonito nesse mundo do que o encontro entre um mestre e seu discípulo. Eu sinto que esse é o mais raro e bonito fenômeno desse planeta. É tão raro quanto um oásis no deserto. Um mestre espiritual é um fenômeno muito raro. Quantos seres humanos nessa Terra se tornam buscadores espirituais? Quantos buscadores espirituais se tornam discípulos? Quantos discípulos se tornam iluminados? E quantos iluminados se tornam mestres espirituais? É muito raro. E passa tão rápido quanto uma estrela cadente. Quanto você menos espera já passou. O mestre é uma porta de acesso para os planos celestiais. O discípulo é aquele que está pronto para passar pela porta. Isso é muito raro. O discípulo é aquele que se move em direção ao mestre como um amante; como a flor que aguarda a primavera. É aquele que ouve as palavras do mestre como ouve o canto dos pássaros e as águas do rio correndo. É um encontro no plano do coração. Isso somente é possível quando você está vazio e completamente receptivo para ser preenchido com o néctar do amor.

Comigo foi assim, quando eu vi Maharaj ji foi imediato. No momento em que o vi, eu caí aos seus pés. Foi como o ímã e o magneto que quando se tocam, não soltam mais. Toda a semente de dúvida foi dissolvida. Eu estava certo de que ele era o meu passaporte para os planos celestiais. Eu tive essa certeza no meu coração. A minha busca terminou ali. Eu deixei de ser um buscador e me tornei um discípulo. Na hora que eu cheguei ali, eu larguei tudo; todo o meu passado de xaman, curador, psicólogo… Naquela hora eu falei: Eu não sei nada, só sei do seu amor. Por favor, pegue na minha mão e me leve. Eu sou a flor e você é a primavera. É um caso de amor. Você não se força a amar, você simplesmente ama. Depois que eu recebi a iniciação o meu amor e a minha fé foram testados e eu entrei num processo de purificação. Eu descobri camadas de medo, resistência, vaidade e ódio que ainda me faziam estar no controle. “Eu mando, eu controlo”. Mas, a conexão tinha sido estabelecida e o fluxo de amor estava vindo na minha direção. Esse fluxo foi lavando todas as camadas de resistência. Aconteceu como essa árvore que está atrás de vocês. Não sei se vocês observaram, mas ela renasceu com a chegada da primavera. Ela secou e todas as folhas caíram. Chegou um momento em que eu achei que ela estava morrendo porque estava completamente seca. E devagar ela começou a brotar. Primeiro um monte de brotinhos bem pequeninos. Dia após dia as folhinhas começaram a aparecer. Elas ainda estão pequenas e podem crescer ainda mais.

Isso aconteceu comigo. Quando renasci eu vi a raridade do fenômeno mestre-discípulo. Antes de acordar eu achava que muitas pessoas que eu conhecia eram iluminadas, mas depois que eu iluminei pude ver que isso é uma coisa rara. Uma pessoa realmente espiritual é rara como é muito raro um buscador que esteja querendo tornar-se completamente espiritual. E o encontro dos dois é mais raro ainda. Você precisa ter desenvolvido a qualidade da confiança. O mestre diz “venha comigo” e você vai sem saber para onde está indo. Você simplesmente confia assim como uma criancinha que pega na mão do pai e não sabe nem para onde vai, mas simplesmente confia."

Palavras de Sri Prem Baba sobre O fenômeno do encontro mestre-discípulo.


Guruji e seu Guru, Maharaj ji




Depois que eu encontrei o meu Guru a minha vida mudou. A atração que eu sentia por ele depois do nosso primeiro encontro era (e é) exatamente como ele descreveu acima. Sabia que algo tinha ocorrido. Ainda assim, eu meramente me questionava: "Será que ele sabe que eu existo?".

Comecei a frequentar os satsangs que ele oferece, conheci pessoas do Sangha e fui entrando em contato com seu ensinamento e seu trabalho. A cada encontro a conexão ficava mais forte.
Muito rapidamente eu estava frente a frente com ele, realizando a iniciação espiritual:

"Eu tenho dito que, existem dois momentos realmente importantes na vida de um ser humano na Terra: o primeiro é quando ele encontra o Guru, e o segundo é quando ele recebe diksha. O restante são passagens de aprendizado." - Palavras do Guru

Depois disso ele me mostrou que me chamou mesmo, me tirou de onde eu estava e me colocou aonde eu estou - ao seu lado - e internamente me convocou pra ir pra Índia.

Ok!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A busca

Algo se busca. O que? 
Eu mesmo.

Vejo essa viagem como um reflexo daquilo que ocorre dentro de mim. A mudança foi brusca, em pouco, pouquíssimo tempo. Jamais poderia imaginar que eu viajaria pra Índia. Certamente não estava nos meus planos.

A grande pergunta foi feita:

"Quem sou eu? O que eu estou fazendo aqui?"

A partir desse questionamento começou a jornada para dentro. E é uma longa viagem, tão longa quanto uma viagem pra Índia.

Mas eu encontrei!
Encontrei algo. Encontrei algo que ativou a minha fé. Naquele dia de domingo, suplicando, aos seus pés, eu pedi: "Ajuda-me a dissolver esse orgulho."

E a resposta veio, olhando nos meus olhos, ele disse: "Saiba que eu lhe senti. Eu vou orar por você. Eu sou seu eu mais profundo."


O encontro com o Mestre

domingo, 7 de outubro de 2012

Prefácio

Eu vou pra Índia. Daqui a 69 dias. Falta bem pouco. Tive a inspiração de fazer esse blog para contar as experiências que vou ter. Mas como isso tudo já começou, começo já, e contando a experiência que estou tendo nessa reta final, que é a sensação de estar aqui e agora, sabendo que falta tão pouco para algo tão grande em minha vida.

Decidi ir pra Índia faz a mais ou menos um ano. Queria mesmo ir no ano passado, mas ainda não era a hora (já que não aconteceu). É uma viagem um tanto cara, mas foi-me dada a oportunidade de juntar dinheiro suficiente para que ela possa acontecer (esse livro aqui ajudou, certamente :P). Tudo está fluindo para que ocorra.

Meus planos até então são os seguintes: Ir e voltar.
Sei que tenho que ir e sei que tenho que voltar, não sei de nada mais. Estranhamente não consigo parar e planejar o que vou fazer lá. Me parece perda de tempo.

Mas o espírito é de Confiança. É de mover-me para onde o Coração aponta. E ele está apontando para a Índia!
Essa carta (que decidi colocar como a capa do blog, hehe) mostra qual o espírito que está crescendo cada vez mais dentro de mim:



Osho: Não desperdice a sua vida com aquilo que lhe vai ser tirado. Confie na vida. Se você confiar, só então, será capaz de abandonar o seu conhecimento, só então, poderá colocar de lado a sua mente. E com a confiança, algo imenso tem início. Esta vida deixa de ser uma vida comum, torna-se plena de Deus, transbordante.

Quando o coração se torna inocente e as paredes desaparecem, você fica ligado ao infinito. E você não terá sido enganado; não existirá nada que lhe possa ser tomado. Aquilo que pode ser tirado de você, não vale a pena guardar; e aquilo que não há como ser tirado de você, por que haveria alguém de ter medo que lhe seja tirado? — não pode ser levado, não há possibilidade. Você não pode perder o seu tesouro verdadeiro.

Osho The Sun Rises in the Evening Chapter 9

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Comentário:
Este é o momento de ser aquele “ioiô humano”, capaz de se atirar no vazio sem a proteção do cabo elástico amarrado aos pés! E é esta postura de confiança absoluta, sem reservas nem redes de segurança escondidas, que o Cavaleiro da Água exige de nós.
Uma grande euforia nos invade quando conseguimos dar o salto para o desconhecido, ainda que essa simples idéia nos apavore. E quando adquirimos confiança ao nível do salto quântico, deixamos de fazer quaisquer planos elaborados, ou preparativos. Não dizemos: “Muito bem, confio que sei o que fazer agora: vou pôr em dia meus negócios, preparar minhas malas e levá-las comigo”. Não; nós simplesmente saltamos, sem pensar muito no que virá depois. O importante é o salto, e o arrepio que ele nos provoca à medida que caímos em queda livre pelo vazio do céu.
A carta nos dá, entretanto, uma “deixa” a respeito do que nos espera no outro extremo — um delicado, convidativo, um delicioso rosado… pétalas de rosa, um suculento… “Venha!”




Vou!